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Comunista é o pseudônimo que os conservadores

A frase aparece em diálogo de “Incidente em Antares”, romance de 1971 que se passa em duas partes: a primeira reconstitui a história da cidade fictícia de Antares ao longo de um século, a segunda concentra-se em 13 de dezembro de 1963, quando uma greve geral impede o sepultamento de sete defuntos que decidem voltar e dizer publicamente o que sabiam dos vivos. O livro é o último grande romance de Veríssimo e funciona como balanço crítico do Brasil às vésperas do golpe de 1964.

A formulação opera por inversão lexicográfica. “Comunista” deixa de ser categoria política e vira pseudônimo, isto é, nome falso aplicado pelos outros. A frase desloca o problema: não interessa o que comunismo é, interessa quem aplica o rótulo e por quê. Os agentes nomeados são os “conservadores”, os “conformistas” e os “saudosistas do fascismo”, três tipos que Veríssimo identifica como herdeiros do integralismo dos anos 1930.

Publicada em 1971, sob o AI-5 e o governo Médici, a frase cumpria função imediata. Qualquer crítica social no Brasil daquele momento podia ser enquadrada como “subversão comunista”, e o livro nomeava o mecanismo enquanto ele estava em curso. “Incidente em Antares” passou pela censura provavelmente porque a estrutura fantástica dos defuntos falantes funcionava como camuflagem alegórica.