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❝ Citação

Quando o amor ao dinheiro nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas

A frase completa é: “E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.” Aqui o romance recupera, em forma de conselho, o trecho do Evangelho de Mateus 6, 28-30 que dá título ao livro. O Sermão da Montanha aconselha não se preocupar com o vestir e o comer, porque os lírios do campo, que não fiam nem trabalham, são vestidos por Deus com mais beleza que Salomão.

A frase secularizou o Evangelho. Já não se trata de confiar na providência divina, trata-se de “fazer pausas”. A interrupção é a operação central: quem está absorvido pela ascensão precisa, periodicamente, parar e olhar para fora. O lírio do campo continua sendo lírio, mas em chave deslocada: passa a funcionar como signo da existência simples que escapa ao circuito do dinheiro, em vez de signo da providência.

A passagem articula o dispositivo central do romance. Eugênio é jovem médico tentado pelo dinheiro e pelo prestígio, e Olívia, que escreveu a frase numa carta, é a voz que o relembra do que ele estava perdendo. Veríssimo era leitor evangélico, sem ser doutrinário, e a vida toda manteve relação cordial com o cristianismo protestante de origem familiar — a frase capta exatamente esse uso devocional sem confessionalidade que ele praticou nos romances dos anos 1930.