Were I a nightingale, I would act the part of a nightingale; were I a swan, the part of a swan
Dos Discursos I.16.20-21. A passagem fecha um capítulo sobre a Providência (pronoia) e a finalidade dos seres. Epicteto, retomando estrutura xenofontea (Memorabilia IV.3), argumenta que cada coisa criada cumpre sua natureza pelo ato que lhe cabe — a planta crescendo, o animal exercendo sua função, o homem reconhecendo conscientemente o ordenamento que os outros seguem por instinto. Long (1877) traduz: “if I were a nightingale, I would do the part of a nightingale; if I were a swan, I would do like a swan.”
A formulação é uma das mais antigas articulações de uma noção que atravessa a tradição ocidental como officium, propium, vocatio: a função própria a um ente como princípio de sua excelência. Cícero, em De Officiis I.107-114, retoma o tema discutindo como cada um deve agir conforme as quatro personae (natureza universal, natureza individual, papel social, escolha). Tomás de Aquino, Summa I-II q.94, articula a lex naturalis em torno de inclinações próprias da espécie. Epicteto interrompe a sequência logo após o trecho com uma frase rara em sua obra — declara que enquanto Deus lhe der voz, hineará o cosmos.
