No man is free who is not master of himself
Frase amplamente atribuída a Epicteto em coletâneas e em sites de citações. Foi durante muito tempo registrada como Fragmento 35 nas edições críticas, mas a edição Teubner de Heinrich Schenkl (1916) — a referência filológica de base para o corpus epictético — coloca o trecho entre os fragmentos dubia (duvidosos), sem autoria confirmada.
A frase não consta em nenhum dos quatro livros sobreviventes dos Discursos nem no Enchiridion. Sobrevive apenas em compilações tardias antologizadas, sem cadeia de transmissão verificável que a vincule diretamente a Epicteto. O conteúdo é compatível com o estoicismo — Disc. IV.1, sobre a liberdade, opera com tese análoga (liberdade é não-impedimento, não-frustração, sujeição apenas à própria razão) — mas formulação tão concisa, na forma que circula hoje, não é atestada como sua.
A tese do autodomínio como liberdade tem cadeia mais longa. Platão, República IX, 588a-589b, articula a alma justa como aquela em que a parte racional governa as outras; Cícero, Paradoxa Stoicorum V, formula explicitamente que só o sábio é livre. A frase pode ser reformulação ciceroniana ou senequiana absorvida em antologias medievais como Epicteto. A categorização editorial moderna como dubium exige cautela — em apresentação acadêmica honesta, a citação deveria vir marcada como atribuição tradicional não verificada, não como Epicteto literal.
