Never say of anything, 'I have lost it'; but, 'I have returned it'
Enchiridion 11, na tradução de Elizabeth Carter (1758): “Never say of anything, ‘I have lost it’; but, ‘I have returned it.’ Is your child dead? It is returned. Is your wife dead? She is returned. Are you deprived of your estate? Has not this also been returned?”
A passagem aplica a doutrina de Ench. 1 ao luto. Filhos, cônjuge, propriedade nunca foram do agente; foram-lhe confiados pela natureza ou pelo cosmos. A devolução, voluntária ou compulsória, é a única descrição moralmente exata do que ocorre. A fórmula é dura por design — Epicteto não suaviza para acomodar afeto familiar. Hard (Oxford, 2014) traz a mesma estrutura. A doutrina ressoa no estoicismo médio (Cícero, Tusculanas III.28-29 cita Anaxágoras com formulação próxima diante da morte do filho) e reaparece na consolatio cristã via Boécio (Consolação da Filosofia II, prosa 2). Sêneca, Ad Marciam 10, formula gesto análogo: “tudo o que possuímos foi-nos emprestado”.
