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❝ Citação

Know, first, who you are, and then adorn yourself accordingly

Dos Discursos III.1.24. O capítulo, intitulado Peri kallōpismou (Sobre o adorno), trata de um jovem que foi à escola de Epicteto cuidadosamente penteado e perfumado. Epicteto investe contra a inversão de prioridades: o cuidado de si externo precede, neste rapaz, qualquer formação interna. A injunção é estritamente socrática — ressoa com o gnōthi seauton délfico que Sócrates faz seu em Apologia 23a-c e Fedro 229e-230a.

A passagem articula um dos vínculos mais explícitos entre Epicteto e Sócrates. Epicteto considerava-se herdeiro direto da tradição socrática — Arriano, no prefácio aos Discursos, compara seu trabalho de registro ao de Xenofonte com Sócrates. A diferença operacional entre o “conhece-te” socrático e o de Epicteto é importante: para Sócrates, a tarefa é diagnóstica (saber o que se ignora); para Epicteto, é classificatória (saber em que ordem dos seres se está, qual a função própria, o que está em poder, o que não está). Foucault, no curso A Hermenêutica do Sujeito (1981-82), destaca a passagem como ponto de virada do gnōthi seauton clássico para o epimeleia heautou romano-imperial — cuidado de si que organiza a relação ética como prática contínua.