Freedom is not acquired by satisfying yourself with what you desire, but by destroying your desire
Dos Discursos IV.1.175. O capítulo IV.1 é o tratado mais longo da obra e leva por título Peri eleutherias (Sobre a liberdade). Epicteto define liberdade como não-impedimento e não-frustração; quem deseja o que está fora do próprio poder será sempre escravo da fortuna. A solução não é multiplicar conquistas, mas extirpar o desejo dependente do externo.
A formulação é o ponto em que estoicismo e tradições ascéticas convergem. Buda, no Dhammapada (versos 350-355, na tradução de Max Müller, 1881), formula equivalente: a sede (tanhā) é a raiz do sofrimento, e a liberdade vem por sua extinção. A coincidência foi notada por Schopenhauer, O Mundo como Vontade e Representação IV §68. O ponto técnico estoico é mais restrito: não se trata de extinguir todo desejo, mas de redirecioná-lo para o que está em poder do agente — a virtude. Epicteto, ele mesmo nascido escravo na Frígia e libertado já adulto, conhecia em sentido literal e metafórico a diferença entre dependência e autonomia.
