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Em defesa da alfabetização musical universal

Tese de Stephan Hammel: a música pertence a todos, e a alfabetização musical universal é projeto socialista. A produção musical depende de instituições coletivas (conservatórios, orquestras, gravadoras, casas de espetáculo); universalizar esses meios exige também leitura musical básica para todos.

Na Hungria, o método de solfejo do compositor e etnomusicólogo Zoltán Kodály (1882-1967) virou disciplina obrigatória no ensino público após a Segunda Guerra Mundial, com apoio contínuo do Estado socialista.

Fichamento
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  • A tese do artigo: o básico de música funciona melhor como conhecimento geral, disponível a todos via educação pública, do que como especialização restrita a poucos. É a mesma lógica da distribuição equitativa dos meios de produção musical: bibliotecas, conservatórios, casas de espetáculo.
  • A alfabetização musical como projeto é antiga: movimentos protestantes do início da era moderna já priorizavam educação musical, e o canto esteve presente na política revolucionária desde o século XVIII, unindo vozes em coros operários e reuniões da Associação Internacional dos Trabalhadores.
  • Kodály entrou na política musical húngara em 1919, nomeado ao Diretório de Música da efêmera República Soviética Húngara ao lado de Béla Bartók. A contrarrevolução que se seguiu abriu investigação pública contra ele, por facilitar a apresentação de “A Internacional” e permitir recrutamento para o Exército Vermelho na Academia de Música; amigos, Bartók entre eles, o protegeram do pior da perseguição.
  • Só com o socialismo húngaro do pós-guerra o método de Kodály ganhou apoio de Estado contínuo: virou disciplina obrigatória, formou professores em programas patrocinados pelo governo e levou coros escolares à rádio nacional.
  • Kodály descrevia a música húngara como presa a uma cultura oral enquanto a literatura já havia migrado para a tradição escrita, e via nisso uma tarefa urgente (ele próprio não era marxista). Em 1949 propôs um plano quinquenal para erradicar o “analfabetismo musical”.
  • O método centra-se no solfejo (dó-ré-mi), usado há mais de mil anos como treino auditivo na alfabetização musical.
  • O sistema húngaro sobreviveu décadas após a morte de Kodály, mas declinou com a queda do comunismo; o método segue usado em salas de aula mundo afora, sem o apoio de Estado contínuo e a obrigatoriedade curricular que sustentaram o projeto original.