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🎙 Podcast

Eco contra Eco: fascismo eterno e a Abadia de Melk

00:34:30 — O feitiço se volta contra o feiticeiro: Eco e o fascismo eterno

Crítica auto-reflexiva: depois de elogiar a operação de Eco contra a superinterpretação, o entrevistador observa que o próprio Eco cai nela quando, ao formular a teoria do “fascismo eterno”, toma um modo localizado de interpretação e o estende para toda a história — a noção histórica de fascismo vira esquema universal. O feitiço se volta contra o feiticeiro: a defesa dos limites da interpretação tropeça quando o próprio defensor universaliza um conceito para além do que o texto autoriza.

00:32:00 — O Nome da Rosa, a Abadia de Melk e a cavalidade

Streck partilha sua relação biográfica com Eco: no mestrado fez disciplina inteira sobre o filósofo italiano, dedicando um semestre a O Nome da Rosa. A primeira resenha que escreveu, em 1984, foi sobre o livro — organizada em verbetes (“o segredo”, “a ideologia”, “a abadia”, “o labirinto”). Recentemente viajou à Áustria, com Rosane, só para conhecer a Abadia de Melk, lugar de origem do narrador Adso. A abadia é quase maior que a cidade. A digressão prepara a célebre passagem que ele recupera adiante — “mestre, vejo o cavalo, mas não vejo a cavalidade” — e a homenagem de Eco a Borges (o cego Jorge, o assassino que guarda o segredo da grande biblioteca).