João amava Teresa que amava Raimundo
A “Quadrilha” tem sete versos e encadeia uma sequência de amores não correspondidos: João ama Teresa, Teresa ama Raimundo, Raimundo ama Maria, Maria ama Joaquim, Joaquim ama Lili, e Lili não ama ninguém. O poema fecha com cada personagem terminando em algum destino arbitrário (J.M., morte, claustro, suicídio, Estados Unidos), enquanto Lili casa com J. Pinto Fernandes “que não tinha entrado na história”.
O título evoca a dança de quadrilha, com pares trocados em sequência por comando do narrador da festa. Drummond transpõe a coreografia para o registro afetivo: ninguém dança com quem quer, e a única que escolhe não dançar acaba casada com o personagem fora do circuito. A piada é estrutural — a economia amorosa do poema é quase um diagrama de teoria dos jogos antes do termo existir.
A força cômica do texto convive com uma melancolia sóbria sobre a aleatoriedade do encontro. O poema entra no repertório escolar brasileiro como exemplo de poesia modernista, e é frequentemente lembrado em comentários sobre triângulos amorosos da literatura. A última linha, com o personagem de quatro letras que aparece do nada, é a chave: o destino de Lili é decidido por irrupção externa, não por nenhum dos enredos prévios da quadrilha.
