Amor e seu Tempo (As Impurezas do Branco, 1973)
“As Impurezas do Branco” é o livro de Drummond de 1973, publicado quando o autor já tinha 71 anos. A coletânea é da fase tardia, depois das memórias de infância de “Boitempo” (1968) e antes das incursões mais explicitamente eróticas de livros como “O Amor Natural” (póstumo, 1992). O poema “Amor e seu Tempo” propõe uma definição do afeto como aprendizado de fim de vida.
A Wikiquote em inglês registra o poema com tradução do verso de abertura como “Love is what we learn on the brink, after we’ve archived all our inherited science”. A frase compara o amor verdadeiro ao saber que aparece depois que as referências culturais herdadas — modelos de família, modelos de paixão romântica, modelos de companheirismo — são deixadas de lado. A construção contraria tanto o cliché do amor juvenil quanto o cliché do amor maduro como serenidade.
A imagem da margem é central. Não é meio do caminho nem ponto de partida; é beira, lugar onde o terreno acaba. O amor que se aprende ali é o que sobrevive depois que todo o resto cessou de informar. Drummond escreve isso em 1973, em plena ditadura militar, depois de já ter atravessado o engajamento dos anos 1940 e o recuo metafísico dos anos 1950. A poesia tardia do autor trabalha com o que sobrou depois que as ciências herdadas foram desarquivadas, e o poema explicita esse procedimento.
