Discriminação por gosto: quando o preconceito tem preço
Gary Becker, em The Economics of Discrimination (1957), trata o preconceito como uma preferência com preço, um gosto que o empregador incorpora ao próprio cálculo de custo. Quem “tem gosto pela discriminação” (taste for discrimination, no termo dele) age como se contratar alguém do grupo que rejeita custasse mais do que o salário pago. Percebe o custo como o salário multiplicado por (1 + d), onde d é o coeficiente de discriminação, a medida de quanto ele topa perder para não conviver com aquele grupo.
Ele prefere um trabalhador menos produtivo do grupo favorecido a um mais qualificado do grupo rejeitado e paga mais caro por menos trabalho, porque incorpora essa preferência no custo percebido.
Sob concorrência, discriminar eleva o custo da firma e reduz a competitividade dela. O rival sem d contrata o trabalhador mais produtivo por um salário menor, opera com custo mais baixo e tende a vencer. No modelo, a discriminação por gosto dura mais onde há poder de mercado ou monopólio, situação em que a firma pode bancar a própria preferência sem ser expulsa pela concorrência.
A discriminação por gosto se distingue da discriminação estatística, formalizada depois por Kenneth Arrow e Edmund Phelps. Na versão estatística, o empregador usa o pertencimento ao grupo como proxy barata de produtividade e acredita estar otimizando. Em Becker, o preconceito é a própria preferência. Ele aceita perder produtividade como custo dessa preferência.
