Diante de uma contradição, faça uma distinção
Adágio da tradição escolástica medieval, sem autor individual identificado. William James citou-o em What Pragmatism Means (1907). Chamou-lhe “scholastic adage” e usou-o para resolver a disputa do esquilo.
O cenário: um homem contorna uma árvore onde um esquilo está agarrado ao tronco. O esquilo acompanha o movimento, girando para manter o tronco sempre entre si e o homem. Pergunta-se: o homem deu a volta no esquilo?
Um lado diz que sim: o homem passou pelo norte, leste, sul e oeste do esquilo, voltando ao ponto de partida. O outro lado diz que não: o homem nunca esteve atrás do esquilo, nunca esteve à sua direita ou esquerda, porque o esquilo girou junto. A distinção de James: há dois sentidos de “dar a volta”. Se significa ocupar posições sucessivas em torno de um ponto, o homem deu a volta. Se significa ficar à frente, ao lado, atrás e ao lado de novo em relação à orientação do corpo, não deu. Ambos os lados têm razão. Falam de coisas diferentes.
Na disputatio medieval, o respondente podia dizer distinguo: aceitar parte de uma proposição (concedo) e negar outra (nego). A distinção era a ferramenta para reconciliar autoridades aparentemente contraditórias.
