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Até 2035, uma pessoa ferida por detritos de satélites a cada dois anos

A projeção vem de um relatório da FAA ao Congresso americano (outubro de 2023), com análise técnica da Aerospace Corporation. Se as 12 megaconstelações propostas à FCC estiverem operacionais até 2035, cerca de 28 mil fragmentos perigosos sobreviverão à reentrada atmosférica por ano. A expectativa de casualidades sobe de 0,07/ano em 2021 para 0,6/ano em 2035. Uma pessoa ferida ou morta a cada dois anos, não uma por ano como circula em podcasts.

O Starlink responde por mais de 85% do risco projetado. A SpaceX contestou o relatório, alegando que seus satélites são projetados para se desintegrar completamente na reentrada. Mas cada satélite que queima deposita alumínio na alta atmosfera, gera carbono negro*, e em alguns casos liberta resíduos de componentes radioativos. O problema do impacto no chão talvez se resolva. O que fica no ar, não.

Nunca houve uma morte confirmada por detrito espacial. A única pessoa atingida foi Lottie Williams, em Tulsa (1997), por um fragmento de 16 gramas de um foguete Delta II. Saiu ilesa.

*Carbono negro (black carbon): partículas de fuligem que absorvem radiação solar e aquecem a camada da atmosfera onde se depositam. Na estratosfera, contribuem para a degradação do ozono.