A transmitter and not a maker, believing in and loving the ancients
子曰:「述而不作,信而好古,竊比於我老彭。」 Tradução de Legge: “A transmitter and not a maker, believing in and loving the ancients, I venture to compare myself with our old P’ang.”
述 shù é transmitir, narrar, repetir o que foi dito. 作 zuò é fazer, criar, instituir do nada. O par 述/作 shù/zuò virou um dos slogans mais discutidos da tradição chinesa. Confúcio se define como o que transmite — não pretende inovar — e elege como modelo o “velho Peng” (老彭 Lǎo Péng), figura semi-lendária do período Yīn-Shāng cuja identidade exata permanece disputada nos comentários.
A passagem abre o Livro 7 (述而), capítulo que tira nome dela e que Brooks & Brooks (1998) classificam entre as camadas antigas, candidatas ao Confúcio histórico. O próprio nome do livro 述而 (“transmitir e…”) confirma o peso editorial dado ao tópico. A irônia é conhecida: Confúcio se diz mero transmissor, mas o que transmite só sobrevive porque ele compilou, selecionou e reorganizou — operação que a sinologia moderna lê como criação dissimulada de tradição. A nota Scholion existente Confucio: transmissor do passado, nao criador trata do mesmo ponto na recepção do podcast Vox.
