Quand la pègre épouse un mythe, attendez-vous à un massacre ou, pis encore, à une nouvelle religion
De Syllogismes de l’amertume (1952), p. 132 da edição Gallimard Folio essais. Quando a canalha desposa um mito, espere-se um massacre ou, pior ainda, uma nova religião.
A frase prolonga a tese de Précis de décomposition (1949) sobre a fé como matriz da violência. A novidade aqui é a articulação social: o estrago histórico vem do encontro entre a “pègre” — a ralé, a multidão de ressentidos — e um mito disponível, e não do intelectual ou do místico isolado. O resultado tem dois desfechos possíveis, e Cioran considera o segundo (a fundação de uma nova religião) pior do que o primeiro (o massacre imediato), porque a religião nova prolonga indefinidamente a possibilidade do massacre futuro. O aforismo guarda eco direto de Joseph de Maistre, autor sobre quem Cioran escreveu o estudo Essai sur la pensée réactionnaire (1957).
