Ce n'est pas la peine de se tuer, puisqu'on se tue toujours trop tard
De De l’inconvénient d’être né (1973), parte II, p. 43 da edição Gallimard Folio essais. Não vale a pena suicidar-se, pois sempre nos matamos tarde demais. A formulação aparece também em forma variante na mesma obra (“Il ne vaut pas la peine de se tuer, puisque l’on se tue toujours trop tard”) e organiza um dos eixos centrais do livro: o nascimento como o desastre primeiro, anterior a tudo o mais.
A tese da obra inverte a hierarquia tradicional do mal: o pior não está adiante (a morte) mas atrás (o nascer). Cioran cita aprovadoramente a doutrina budista das três coisas que se quisera não existissem — velhice, doença, morte — e acrescenta a quarta, o nascimento, como fonte das outras. O suicídio chega tarde porque o erro irreparável já foi cometido no instante em que se entrou no tempo.
