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❝ Citação

Il n'est pas élégant d'abuser de la malchance

De Syllogismes de l’amertume (1952), p. 69 da edição Gallimard Folio essais. A passagem completa: “Il n’est pas élégant d’abuser de la malchance ; certains individus, comme certains peuples, s’y complaisent tant, qu’ils déshonorent la tragédie.” Não é elegante abusar do azar; certos indivíduos, como certos povos, comprazem-se tanto nele que desonram a tragédia.

A frase carrega um princípio estilístico transversal a Cioran: o pessimismo só vale quando preserva a forma. Lamentar-se em excesso é desonrar o sofrimento, transformá-lo em chantagem. A objeção é dirigida a si mesmo tanto quanto aos outros — em particular ao povo romeno, que Cioran descreveu em escritos do exílio como cultivando uma “complaisance” mórbida com a desgraça. O aforismo registra a regra interna pela qual o autor escreve: tédio, desespero, ódio podem ser temas, jamais postura.