La mort est trop exacte ; toutes les raisons sont de son côté
De Précis de décomposition (1949). Em tradução de Richard Howard: “Death is too exact; it has all the reasons on its side. Mysterious for our instincts, it takes shape, to our reflection, limpid, without glamor, and without the false lures of the unknown. By dint of accumulating non-mysteries and monopolizing non-meanings, life inspires more dread than death: it is life which is the Great Unknown.”
A passagem inverte a hierarquia ordinária: a vida é o misterioso, e a morte, o claro. À reflexão, a morte aparece límpida, sem glamour, sem o falso atrativo do desconhecido. A vida, ao contrário, acumula “não-mistérios” e monopoliza “não-sentidos” — e esse acúmulo é o que provoca o pavor. A obra de Cioran como um todo trabalha essa inversão: o nascimento, e não a morte, é o evento estranho; a continuação, e não o término, é o que precisa ser explicado.
