Comment fait-il pour ne pas se tuer ?
De Précis de décomposition (1949). Em tradução de Richard Howard: “Since it is difficult to approve the reasons people invoke, each time we leave one of our ‘fellow men’, the question which comes to mind is invariably the same: how does he keep from killing himself?” Sendo difícil aprovar as razões que as pessoas invocam para viver, a pergunta que sobra ao deixá-las é sempre a mesma — como elas conseguem não se matar?
A passagem traduz a operação constante de Cioran: tomar a sobrevivência humana como o fato a ser explicado, não como o pressuposto. Inverter a ordem da pergunta. Em vez de buscar razões para o suicídio (Camus, Sísifo, 1942), buscar razões para a continuação. A obra de Cioran é, em larga medida, uma fenomenologia do que mantém vivos os que não têm motivo para estar vivos.
