Un aphorisme ? Du feu sans flammes
De De l’inconvénient d’être né (1973). Em tradução em inglês: “An aphorism? Fire without flames. Understandable that no one tries to warm himself at it.” Um aforismo? Fogo sem chamas. Compreensível que ninguém tente aquecer-se nele.
A frase é uma autorreflexão sobre a forma escolhida. O aforismo, gênero de Cioran desde Syllogismes de l’amertume (1952), brilha sem aquecer, fere sem reconfortar. Reconhece a própria limitação: não há sistema, não há consolo, não há doutrina à qual aderir. O leitor sai sem fé renovada, sem programa, sem aliança. Apenas a constatação ressecada. O Précis (1949) ainda mantinha alguma sustentação ensaística; a partir dos Syllogismes, e sobretudo em De l’inconvénient, Cioran abandona o desenvolvimento longo em favor do fragmento — fogo sem chamas, exatamente.
