Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
“Tatuagem” foi composta por Chico em parceria com o cineasta moçambicano Ruy Guerra para a peça “Calabar: o Elogio da Traição”, coescrita por ambos em 1973. A peça reabilitava a figura histórica de Domingos Fernandes Calabar, pernambucano que durante as invasões holandesas (1630-1654) trocou de lado e lutou pelos batavos contra a Coroa portuguesa. Para o regime militar, em plena exaltação da figura nacional, a peça era inaceitável. Foi vetada em 1973 e só estreou em 1980. A trilha sonora, contudo, saiu no LP “Chico Canta” (Phonogram, 1973), passando ao largo da proibição teatral.
A letra é monólogo em primeira pessoa feminina endereçado a um amante. A formulação “ficar no teu corpo feito tatuagem” articula desejo de permanência e ideia de marca involuntária — a tatuagem é decisão definitiva, é também violência sobre a pele. A canção segue acumulando metáforas de fixação: marca de mordida, suor, cicatriz, escrita à mão na pele. A tonalidade é de entrega absoluta, sem pedido nem promessa de reciprocidade.
A interpretação canônica é a de Maria Bethânia, gravada em 1976. A canção entrou também no repertório de Elizeth Cardoso, Nara Leão e Elis Regina, entre outras.
