Ir para o conteúdo principal

← todas as notas

❝ Citação

A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar

Os versos abrem a segunda parte de “Roda Viva”, depois do primeiro refrão. A primeira parte da canção é diagnóstico (“tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”). A segunda parte é reivindicação: “a gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar / mas eis que chega a roda viva, e carrega o destino pra lá”.

O contraste gramatical é o procedimento. “Ter voz ativa” e “mandar no destino” são ações no infinitivo, projetos. “Eis que chega” é presente narrativo, fato consumado. A roda chega antes que se realize o projeto, e o pronome reflexivo se desloca: o sujeito que queria mandar no destino é agora aquele que tem o destino carregado pra lá. A operação se repete nas demais estrofes: a roda carrega a rosa, o amor, o santo.

A frase deu título ao capítulo inaugural do projeto digital “We Cannot Remain Silent” da Brown University Library, dedicado à canção brasileira de protesto. Esse uso retrospectivo legitima a leitura politica da canção, embora Chico, em entrevistas, tenha sido cauteloso quanto à intencionalidade direta na composição de 1967, antes do AI-5 e do endurecimento subsequente.