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❝ Citação

Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita

“Meu Caro Amigo” foi composta em 1976 por Chico e Francis Hime em resposta a uma carta do dramaturgo Augusto Boal, exilado em Lisboa, que pedia notícias do Brasil. A canção entra como faixa 4 do LP “Meus Caros Amigos” (Philips, 1976), de onde o álbum tira o nome. O LP traz outras quatro canções, todas no mesmo registro epistolar ou de balanço da situação política.

A letra é construída como carta cantada. O eu-lírico se desculpa por não escrever antes, lista o cotidiano brasileiro do governo Geisel — “a coisa aqui tá preta / muita mutreta pra levar a situação” — e devolve a frase do amigo exilado: “que beijo / amigo, um abraço”. A elegância está em manter o registro coloquial de bilhete enquanto narra a fase final do regime militar. “Não dá pra te mandar nem um arzinho deste ar carioca” funciona como dado afetivo e como sinalização indireta da censura postal.

A canção é a referência canônica para a comunicação dos exilados brasileiros nos anos 1970. Foi reaberta como acervo histórico no documentário “Vai e Vem da Vida”, de João de Moraes, e em outros documentários sobre Boal.