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Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni

“Geni e o Zepelim” é peça central da “Ópera do Malandro”, musical de Chico Buarque inspirado em “A Ópera do Mendigo” de John Gay (1728) e na “Ópera dos Três Vinténs” de Brecht e Weill (1928), transposto para o Rio de Janeiro do Estado Novo varguista. A peça estreou em 1978 e o LP saiu pela Philips em 1979.

A canção narra a história de Geni, prostituta da cidade objeto do desprezo coletivo. Quando um comandante de zepelim chega com ameaça de destruir a cidade, exige Geni como condição para poupá-la. A multidão, que antes a apedrejava, agora suplica que ela ceda. Geni cede. O zepelim parte, a cidade se salva, e a multidão volta a apedrejá-la — “joga pedra na Geni”. O refrão alterna entre os dois polos da relação ambivalente entre vítima e comunidade.

Geni passou ao vocabulário público brasileiro como rótulo para vítima de moralismo seletivo, especialmente em situações em que a mesma comunidade que ataca exige ou se beneficia dos atos que pune. A canção foi inicialmente liberada para o teatro, mas a censura objetou quando da gravação em álbum, dado o palavrão “bosta” no refrão alternativo (“joga bosta na Geni”) e o registro mais explícito de prostituição. Saiu em 1979 com palavras alteradas pela própria intervenção da censura.