Essa gente
“Essa Gente” é o sexto romance de Chico, lançado em 2019 pela Companhia das Letras. O narrador, Manuel Duarte, é escritor que vive em Leblon, em crise financeira e emocional, e tenta escrever um novo romance enquanto a cidade do Rio entra em colapso ao redor. O texto se compõe de fragmentos datados (entradas de diário, cartas, recortes de jornal, transcrições de telefonemas, notificações judiciais) assinados em datas específicas a partir de 9 de outubro de 2017.
O título funciona como deslocamento de sujeito. “Essa gente” é como o narrador, em momentos sucessivos, se refere aos vizinhos, à classe alta carioca, aos manifestantes nas ruas, aos políticos eleitos, ao pessoal da empregada: sempre como conjunto pelo qual não se responsabiliza. O recurso retórico expõe a posição social do narrador: aquele que comenta de fora um país que lhe é estranho. A formulação ressoa com tema dos primeiros romances de Chico, o narrador deslocado em sua própria cidade, agora situada no Brasil de 2017-2018.
O romance é o primeiro de Chico que aborda o presente brasileiro imediato, em vez de se mover por décadas anteriores como “Leite Derramado” ou “O Irmão Alemão”. O ano de publicação coincide com o primeiro ano do governo Bolsonaro; o romance foi recebido como diagnóstico ficcional do que parte da crítica chamou de “descivilização” contemporânea, termo que aparece nos estudos acadêmicos sobre o livro.
