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Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira

“Budapeste” é o terceiro romance de Chico, lançado em 2003 pela Companhia das Letras. Ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2004 e foi adaptado para o cinema em 2009. O narrador, José Costa, é ghost-writer no Rio de Janeiro, casado, vida estável; perde uma conexão aérea em Budapeste e se enreda com Krista, professora de húngaro, e com a língua mais difícil da Europa.

A primeira frase fixa o tema sem floreio. José Costa diz a frase quando Krista ri de seu húngaro precário. A construção “devia ser proibido” é mais que pedido — é hipótese moral. A frase introduz a paranoia do narrador diante da exposição linguística: tudo o que se faz numa língua que não se domina é ridículo aos olhos do nativo. Na segunda metade do romance, José Costa escreverá um romance em húngaro publicado sob nome próprio por outro autor — e a relação entre autoria, voz e tradução se torna o eixo da trama.

A escolha do ghost-writer como personagem ressoa biograficamente, embora Chico tenha negado paralelismo direto. O tema do autor que escreve no nome de outro retoma motivos pessoanos. Budapeste sustenta a investigação sobre quem fala quando uma frase é dita — questão central também na poética de Chico-letrista, dado o constante uso de eu-líricos femininos e personagens.