Estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar
Composta em São Paulo, em julho de 1966, “A Banda” empatou em primeiro lugar com “Disparada” (Geraldo Vandré e Théo de Barros) na final do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 10 de outubro do mesmo ano. Chico interpretou em dueto com Nara Leão. Gilberto Gil foi a primeira pessoa a ouvir a canção, na casa de Chico, antes do festival.
Os versos de abertura instalam a cena: a banda que passa interrompe a apatia dos personagens, todos chamados pela música a olhar de janela ou parar na rua. A letra cataloga moças, velhos, lavadeiras, gente triste, que param a vida para acompanhar o cortejo. No fim, a banda passa e tudo volta ao lugar — a euforia foi breve.
A canção marca uma virada na MPB. Aos 22 anos, Chico se tornou figura nacional. O sucesso comercial e o reconhecimento da crítica conviveram com leituras políticas: alguns viram em “A Banda” alegoria do efêmero entusiasmo popular num país recém-tomado pelos militares. O próprio Chico foi cauteloso com essas interpretações na época.
