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🎙 Podcast

Chaui: o celular como órgão e a subjetividade narcisista

00:48:15 — Celular como órgão e subjetividade narcisista

Chaui explica um dos motivos de achar limitado o uso crítico das redes: o celular funciona como mais um órgão do corpo, sobretudo de jovens e crianças, carregado como se carrega um rim ou um pulmão. Ela diz achar isso tenebroso, mas que de nada adianta lamentar, pois o objeto está aí e é preciso saber o que fazer com ele. O primeiro passo é ver como ele funciona, e foi a partir desse funcionamento que ela elaborou a ideia da subjetividade narcisista e depressiva.

00:49:20 — Existir é ser visto e cancelamento

Chaui explica que os objetos digitais fazem a pessoa crer que só existe se for vista, de modo que não ser visto é o maior terror da nova subjetividade, que busca se ver ininterruptamente, o que leva o narcisismo ao extremo. Esse narcisismo é posto em risco permanente pelo cancelamento, que ela chama de assassinato socialmente aceito, pois se existir é ser visto, ser cancelado é ser assassinado. Resulta uma subjetividade narcisista por precisar ser vista e depressiva por correr o risco constante de cancelamento. Ela lembra que Freud começou a psicanálise analisando a personalidade narcisista e depressiva.