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Care about what other people think and you will always be their prisoner (misatribuição a Lao Tzu)

A frase “Care about what other people think and you will always be their prisoner” circula em coletâneas como tradução literal do Dào Dé Jīng. Não é. É reformulação livre de Stephen Mitchell, em Tao Te Ching: A New English Version (1988), que o próprio autor descreve no prefácio como “version” — escolha terminológica deliberada, oposta a “translation”.

Mitchell admite que não lê chinês. A confissão está no prefácio da edição original e foi reiterada em entrevistas posteriores. Sua “versão” é uma reformulação inglesa baseada em traduções existentes (sobretudo Paul Carus, D. C. Lau e Wing-tsit Chan), filtrada por sua sensibilidade espiritual de meditador zen americano. O resultado é texto fluente, idiomático, frequentemente belo — mas não é tradução. Linhas inteiras de Mitchell não têm correspondência no original chinês; outras linhas do original são suprimidas porque Mitchell as julga repetitivas ou supersticiosas.

A frase em questão deriva do cap. 9 do Dào Dé Jīng — 持而盈之,不如其已 (“manter [um vaso] cheio até a borda, não como deixá-lo já”) — que Mitchell parafraseia como meditação sobre não buscar aprovação. O original chinês trata da plenitude excessiva e do recuo prudente, não diretamente do desejo de aprovação alheia. A. C. Graham e D. C. Lau lêem o capítulo como advertência contra excesso material e ambição posicional. A formulação de Mitchell é leitura psicológica modernizada — válida como paráfrase, ilegítima como atribuição direta a Lao Tzu.

A misatribuição é caso típico do problema descrito em geral pelo aparato filológico que monitora citações de Mitchell: paráfrases circulam como traduções, e Lao Tzu acaba ficando responsável pelo vocabulário de mindfulness californiano dos anos 1980. Wikiquote lista a frase explicitamente na seção Disputed/Misattributed da entrada Laozi. Casos paralelos no mesmo livro: “A good traveler has no fixed plans” (cap. 27 expandido por Mitchell), “The Master gives himself up to whatever the moment brings” (cap. 13 reescrito), “Knowing others is intelligence; knowing yourself is true wisdom” (cap. 33 onde Mitchell troca míng por true wisdom).