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❝ Citação

O capitalismo é uma religião. É provavelmente o primeiro caso de um culto que não expia, mas universaliza a culpa

Fragmento 74, escrito em 1921, publicado postumamente em 1985 (Gesammelte Schriften, vol. VI). Benjamin identifica no capitalismo uma religião puramente cultual: sem dogma, sem teologia, sem dias úteis. O culto é permanente (não há sábado), não expia mas universaliza a culpa, e seu deus deve permanecer oculto. Schuld em alemão é tanto “culpa” quanto “dívida”, e Benjamin explora a ambiguidade ao limite. A tese responde a Max Weber invertendo-o: o capitalismo não foi condicionado pelo protestantismo. Ele é a religião, e o cristianismo se tornou seu parasita.

Žižek retoma o fragmento pela lógica do superego freudiano: quanto mais se obedece ao imperativo capitalista (acumular, investir, crescer), mais culpado se sente. O mecanismo não poupa os próprios operadores do sistema. O capitalista está preso na mesma espiral de endividamento compulsivo, sem posição de credor livre de dívida.