Cantonês é arquipélago, Pinyin é continente
O Cantonês não tem um sistema oficial de transliteração equivalente ao Pinyin. Sobram vários métodos concorrentes de escrita romanizada (Jyutping, Yale, e o método que cada família inventou para registrar o sobrenome no passaporte): onde o Pinyin é um continente único, a romanização do Cantonês é um arquipélago. O efeito atravessa até a identidade familiar: é por isso que o sobrenome 梅 aparece grafado como Mo, Moy ou Mui, dependendo da família e da época em que essa família registrou a romanização. A família Moy Yat Sang é um caso concreto disso.
Existem também palavras do dia a dia em Cantonês que não têm par escrito em ideograma (apareceu na aula o exemplo de “lápis”), e nesses casos se usa um substituto improvisado. O Cantonês carrega uma lógica mais antiga, mais regional e mais política, ligada às divisões e à tradição genealógica das famílias do sul.
