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❝ Citação

Há os liberais, que pedem 'flexibilização', e os socialistas, que pedem manutenção de direitos adquiridos

Na introdução de 2017, Caetano dedica trecho específico ao pensador brasileiro Roberto Mangabeira Unger (1947-), professor em Harvard e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Lula. O contexto é a discussão, em meados de 2017, sobre as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo Temer. Caetano contrasta o vocabulário polarizado do debate público com a posição de Mangabeira: “Há os liberais, que pedem ‘flexibilização’, e os socialistas, que pedem manutenção de direitos adquiridos. Mangabeira falava da complexidade dos laços entre as duas reformas”.

O parágrafo descreve o projeto teórico de Unger como “reforma revolucionária” que “começa por usar as energias da economia de mercado para, ao mesmo tempo em que diminui a desigualdade, mudar as instituições”. Caetano transcreve com aprovação a expressão “empreendedorismo de vanguarda”, que considera capaz de “desmontar os preconceitos do esquerdismo vulgar”. A passagem é parte do esforço, no prefácio de 2017, de explicar a distância de Caetano tanto da “esquerda convencional” quanto do antipetismo.

A passagem situa Caetano no campo da “esquerda crítica” que ele descreve em outros momentos do livro. Cita ainda John Stuart Mill, V.S. Naipaul, José Guilherme Merquior e Roberto Campos como autores liberais a partir dos quais articula a sua posição. O capítulo todo argumenta que “projetos de libertação do homem futuro não podem prescindir de aspectos da doutrina liberal”.