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'Sozinho' não é composição de Caetano Veloso — é de Peninha

A canção “Sozinho”, cujo refrão “às vezes no silêncio da noite / eu fico imaginando nós dois” tornou-se ubíquo no Brasil dos anos 1990, é frequentemente atribuída a Caetano Veloso em redes sociais, compilações de “frases de Caetano” e até em produtos comerciais. A autoria correta é de Peninha (Adilson Tadeu Berardo, n. 1953), compositor e cantor carioca que escreveu a peça inspirado em conversa telefônica entre sua filha Clariana, então com 14 anos, e o namorado.

A canção foi composta e gravada originalmente por Peninha em 1997 e ganhou o Prêmio Sharp daquele ano. Foi popularizada na voz de Sandra de Sá, que a interpretou no rádio. Caetano ouviu a versão de Sandra na rádio e decidiu cantá-la em seu próximo show; gravou-a no álbum Prenda Minha (1998), versão que tornou-se a mais conhecida graças à inclusão na trilha sonora da novela Suave Veneno da Rede Globo (1999). A massificação pela novela fez a versão de Caetano migrar para o repertório dele no imaginário popular, com a perda gradual do crédito a Peninha.

O mecanismo de migração é típico de canções de sucesso interpretadas por nomes mais famosos. A força do intérprete (Caetano como instância canônica da MPB) sobrepõe-se à autoria do compositor menos visível, sobretudo quando a peça circula sem créditos em mídias digitais. Peninha permaneceu compositor ativo nos anos 2000 e 2010, gravando outras canções, mas “Sozinho” continua identificada com Caetano no senso comum.