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Eu digo não ao não / Eu digo: É proibido proibir

A canção foi inscrita por Caetano para o III Festival Internacional da Canção, em setembro de 1968, e apresentada com Os Mutantes como banda de apoio. A platéia do Teatro Tuca em São Paulo vaiou a apresentação, e Caetano respondeu com um discurso improvisado (“vocês não estão entendendo nada”) que entrou para a história do tropicalismo como manifesto. O título traduz o slogan do Maio de 1968 francês (“Il est interdit d’interdire”), grafitado nos muros da Sorbonne meses antes.

A formulação “eu digo não ao não” é a peça central. Caetano dobra a negação sobre si mesma: vai além da recusa do interdito e atinge a recusa da própria recusa, uma negação dialeticamente carregada. A frase seguinte, “é proibido proibir”, encerra o paradoxo: a única proibição admissível é a proibição do proibir. A construção tem dívida com a tradição libertária francesa mas adapta-se à censura brasileira do AI-5, decretado três meses depois.

A canção foi a peça que motivou a prisão de Caetano e Gilberto Gil em dezembro de 1968. Caetano relataria a sequência em Verdade Tropical (1997), no capítulo “É Proibido Proibir”, e voltaria ao episódio em Narciso em Férias (2020), volume dedicado especificamente aos 54 dias de detenção que se seguiram.