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❝ Citação

Uma rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos

O conto se apresenta como confissão do espião chinês Yu Tsun durante a Primeira Guerra Mundial. Yu Tsun visita o sinólogo Stephen Albert, que lhe revela o segredo do romance inacabado de Ts’ui Pen, antepassado de Yu Tsun. O romance pareceu ininteligível por séculos porque cada capítulo contradiz os anteriores — personagens morrem e voltam a aparecer, cenas se repetem com desfechos diferentes.

A revelação de Albert reorganiza o romance. Onde o leitor de literatura ocidental escolhe um caminho a cada bifurcação, Ts’ui Pen escolhe todos: “Se decide cada vez por todas. Crea, así, diversos porvenires, diversos tiempos, que también proliferan y se bifurcan.” A obra é um labirinto temporal, não espacial. Cada possibilidade deflagrada gera uma sucessão paralela; o conjunto delas é o romance.

A formulação central é a frase que Albert cita: “Creía en infinitas series de tiempos, en una red creciente y vertiginosa de tiempos divergentes, convergentes y paralelos.” A descrição antecipa a interpretação de muitos-mundos da mecânica quântica proposta por Hugh Everett em sua tese de Princeton (1957) por dezesseis anos. A ressonância foi notada por David Deutsch e por Brian Greene, embora Borges tivesse em mente filosofia da história e teologia, não física quântica.