Ir para o conteúdo principal

← todas as notas

Bataille: o amor como borda e a dissolução do ego

00:01:14 — citação no podcast Vox

Georges Bataille (1897–1962), filósofo, escritor e bibliotecário francês, é referência central das discussões filosóficas sobre o erótico. Em L’Érotisme (1957), formula a tese de que o erotismo é a aprovação da vida até dentro da morte: os seres humanos são descontínuos, separados uns dos outros, e o erotismo é a tentativa transgressiva de tocar a continuidade que só a morte realiza por inteiro.

No primeiro minuto de Amor de Puta, Natânia Lopes invoca Bataille para definir o amor como borda — não limite — e ler o orgasmo como momento de dissolução do ego. A interpretação dela inverte a leitura mais comum: em Bataille o orgasmo é perda do eu (a petite mort); para Natânia, é onde “você é mais você”. A inflexão é dela, não de Bataille — mas a referência marca o terreno teórico em que ela se move: o amor como experiência-limite, ligada ao erótico e à transgressão, e não à autorrealização individualista do amor romântico.