Alfred Gell, Arte e Agência, e o amor como forma de conhecimento
00:54:56 — citação no podcast Vox
Alfred Gell (1945–1997), antropólogo britânico, conduziu trabalho de campo prolongado entre os Umeda, povo da província de Sepik Oeste, em Papua Nova Guiné — etnografia que daria origem a Metamorphosis of the Cassowaries (1975). Sua obra atravessa a antropologia da arte, do tempo e da magia, com livros como The Anthropology of Time (1992) e Wrapping in Images (1993).
Seu trabalho mais influente é Art and Agency: An Anthropological Theory (1998), publicado postumamente. O argumento central reposiciona o objeto artístico não como signo a ser decifrado mas como agente: as coisas têm agência, exercem efeitos sobre pessoas, e a obra de arte funciona dentro de redes em que distribui intenções e captura olhares. A formulação foi decisiva para a antropologia da arte e para os estudos de cultura material das décadas seguintes.
No último trecho de Amar?, Fabíola Gomes invoca Gell para responder a Michel Alcoforado sobre o que é o amor para seus interlocutores indianos. A definição que ela retira de Gell — “o amor é uma forma de conhecimento, onde quer que ele aconteça” — é mobilizada como ponto de entrada para descrever os jovens da Índia contemporânea como portadores de duas grandes formas de conhecimento simultâneas, a tradicional e a globalizada, e o amor que produzem como combinação inédita das duas.
