Scholion
Marginalia, glosas, grifos e fragmentos do que leio, escrevo, escuto e assisto.
Notas que servem de base para textos em desenvolvimento no Silvae.
2151 notas · última:
Em destaque
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O que é um Scholion (e o que é Marginalia)
Scholion é a glosa erudita na margem do manuscrito antigo. Marginalia é qualquer marca na margem, da glosa filológica ao cavaleiro lutando contra o caracol.
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Graeber: Revolution in Reverse
01:07:34 — Revolution in Reverse: alternativas de baixo pra cima
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We are what we repeatedly do. Excellence, then, is not an act, but a habit.
Will Durant em The Story of Philosophy (1926), paráfrase do livro II da Ética a Nicômaco. Circula amplamente atribuída a Aristóteles.
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Autopoiese, Maturana/Varela e Kung Fu
Kung Fu não pode ser ensinado, mas pode ser aprendido. Ensinar pressupõe transferência (alopoiese). Aprender é autoprodução (autopoiese).
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A vida não é útil — Ailton Krenak
Ailton Krenak desconstrói a ideia do utilitarismo do existir: a vida não deve ser reduzida à lógica mercantil de fazer coisas "úteis" para "ganhar mais" — esse modo de vida "devora o planeta" e…
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Os 214 radicais Kangxi — referência e plano de estudo
Lista de referência dos 214 radicais Kangxi (部首) com pinyin e glosa, um recorte dos mais produtivos para começar, e o método para usar tudo isso — a base gráfica do mandarim.
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Rascunho sobre o que é Kung Fu
Um livro sobre Kung Fu escrito por alguém que acredita que Kung Fu não pode ser ensinado. Parece contraditório — e é. Mas essa contradição é o ponto de partida, não o obstáculo.
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Quintiliano
Marcus Fabius Quintilianus foi um retórico romano do século I d.C., nascido na Hispânia por volta de 35 d.C. É mais conhecido pela Institutio Oratoria, um tratado sobre educação e oratória em 12…
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Organizações se destroem sozinhas
00:21:25 — Organizações se destroem sozinhas
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Naturalização, desejo e estratégia política
00:28:05 — Melancolia industrial e a fábrica da Brahma em Passo Fundo
Recentes
ver todas →Por que ficamos entediados? (Naruhodo #397)
Cinco anotações do Naruhodo #397 sobre o tédio: de Kierkegaard (raiz de todo o mal, rotação de culturas, intensivo × extensivo) à ligação entre tédio e atenção.
Guderne kjedede sig, derfor skabte de Menneskene
De Enten-Eller I (1843), seção 'Vexel-Driften', sob a persona do esteta A. O tédio é a raiz de todo o mal e força motriz da criação; os deuses se entediaram e criaram os homens.
Numa ocasião, Platão definiu o ser humano como um animal, bípede e sem penas, pelo qual foi calorosamente aplaudido. Diógenes depenou uma galinha e levou para a sala de aulas, declarando: «Aqui está o homem de Platão.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70, na qual o autor reconta um episódio envolvendo Platão e Diógenes.
defendia a partilha comunitária de esposas e maridos e ensinava que as crianças também deviam ser tratadas em comunidade. Pensava igualmente que não havia nada de errado em roubar de um templo e comer qualquer tipo de carne, incluindo carne humana. Quando lhe perguntavam de onde vinha, Diógenes respondia que era um «cidadão do mundo» ou kosmopolites. Quem dera que mais pretensos cosmopolitas contemporâneos bebessem água com as mãos, comessem carne humana, abraçassem estátuas e se masturbassem em público. De facto, o «cosmopolitismo» de Diógenes é muito mais uma posição antipolítica do que qualquer espécie de internacionalismo vulgar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira publicada por Edições 70, no trecho em que trata de Diógenes e do sentido de seu cosmopolitismo.
Quando lhe perguntaram qual era a coisa mais bela do mundo, Diógenes respondeu «a liberdade de expressão». As suas palavras e atos manifestam uma obstinação e um protesto contínuo contra a corrupção, o luxo e a hipocrisia. O caminho para a liberdade individual requer honestidade e uma vida de austeridade material absoluta. Diógenes atribuiu ao seu mestre Antístenes o mérito de o ter introduzido a uma vida de pobreza e felicidade e, como ele, aceitou de boa vontade o epíteto «cão». Quando Platão lhe chamou de cão, replicou: «É bem verdade, porque volto uma e outra vez àqueles que me venderam.»
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada por Edições 70, situando Diógenes no panorama biográfico do livro.
Diógenes é uma fonte de histórias maravilhosas: atirou fora o seu copo quando viu alguém beber com as mãos. Viveu num barril, rolando nele sobre areia escaldante no verão. Acostumou-se ao frio abraçando estátuas cobertas de neve no inverno. Afirmou que se podia aprender num bordel que não havia diferença entre o que custava dinheiro e o que não custava. Masturbava-se no mercado, dizendo que gostava que fosse tão fácil aliviar a fome esfregando no estômago vazio. Comia lulas cruas para evitar o trabalho de as cozinhar. Escarnecia do leiloeiro enquanto era vendido como escravo. Quando Lísias, o farmacêutico, lhe perguntou se acreditava nos deuses, respondeu: «Como posso não acreditar quando vejo um desgraçado esquecido pelos deuses como tu?» Quando lhe perguntaram qual o momento certo para casar, disse: «Para um jovem ainda não, para um velho nunca.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70 em 2011, ao apresentar anedotas ligadas à figura de Diógenes.
Ficou cego e sofreu de cruéis enfermidades e de uma apatia generalizada. Foi criticado por não ter a coragem de cometer suicídio, embora pareça ter estado próximo. Disse: «A natureza que me gerou irá igualmente destruir-me», e morreu aos oitenta e cinco anos.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira em português publicada em 2020 pela Edições 70.
Como estamos fazendo pesquisa etimológica
As notas de etimologia do Scholion saem de sete fontes cruzadas, uma de cada vez. O que as segura contra a invenção: source-or-silence, a seção de divergências, e a lacuna marcada em vez de preenchida.
Etimologia de 分 (Fan — Fēn / fan1)
分 — 'dividir, separar': composto de 八 (separação) e 刀 (faca), a faca que separa as coisas. Estudiosos defendem que 八 e 分 foram originalmente o mesmo caractere.
Contudo, afirma de imediato que foi dos gregos que a filosofia emergiu e «até o seu nome recusa ser traduzido em língua estrangeira ou bárbara». Portanto, a filosofia fala grego e a sua história tem início na Grécia e, claro, na Europa. Esta é a narrativa típica da história da filosofia que reduz o não-grego, o não-europeu, as fontes «bárbaras» às chamadas «tradições de sabedoria», mas não filosofia propriamente dita.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 por Edições 70.
Etimologia de Azar
'Azar' vem do árabe az-zahr, 'o dado'. Do objeto de jogo veio o sentido de acaso; no português, fixou-se no lado ruim da sorte. A história da flor pintada no dado é sedutora e contestada.
providenciar uma cura para o aspeto da morte que é mais difícil de suportar: não a nossa morte, mas as mortes daqueles que amamos. É a morte daqueles que amamos que nos destroem, que descosem o nosso eu cuidadosamente feito à medida, que desfazem qualquer sentido que possamos ter. Na minha opinião, por muito estranha que pareça, só no luto é que nos tornamos verdadeiramente nós próprios. Ou seja, ser um eu não consiste num qualquer autoconhecimento ilusório, mas em reconhecer aquela parte de nós próprios que perdemos de forma irremediável. A dificuldade aqui reside inteiramente em imaginar que espécie de contentamento ou tranquilidade será possível relativamente às mortes daqueles que amamos.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70, a partir de seu livro originalmente lançado em 2008.
